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Pedro Cativelos
January 29, 2020

2020, o ano da confirmação?

Dizem-nos as notícias que um grupo de empresários moçambicanos criou uma Câmara de Petróleo e Gás, a CPGM, com o intuito de aproveitar as oportunidades que esta indústria vai proporcionar.

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“A Câmara do Petróleo e Gás será uma associação não lucrativa com o objectivo de criar uma plataforma onde as pequenas e médias empresas possam aglutinar-se e preparar-se para a indústria de petróleo no país”, disse Florival Mucave, presidente da CPGM.

A CGPM conta, para já, com 27 empresas, 19 das quais moçambicanas, e surge para colmatar um dos maiores desafios para os empresários nacionais do sector: a falta de conhecimento sobre as oportunidades do oil & gas. Não é só esse o desafio, longe disso. Conversando com empresários, gestores e gente com negócios em várias áreas de actividade, percebe-se que, ao mesmo tempo que o optimismo se generaliza com o que aí vem ao nível do crescimento, alastra também uma preocupação generalizada com a falta de reconhecimento de muitos agentes económicos em relação a um terreno virgem, em Moçambique.

Depois, e na verdade, as maiores oportunidades deste enorme sector que está a nascer a Norte, estão já tomadas por grandes corporações internacionais.

Um exemplo serve para ilustrar esta realidade: a construção de todo o empreendimento da Área 4 (orçado em cerca de 30 mil milhões de dólares), liderada pela Eni e Exxon Mobil, no âmbito dos contratos de adjudicação assinados em Outubro, em Maputo, estará a cargo do consórcio JGC, Fluor e Technip FMC.

Outro exemplo: em Junho, nos dias que se seguiram à Decisão Final de Investimento da Área 1, liderada pela Anadarko, foram anunciadas várias adjudicações de serviços à exploração de GNL a empresas estrangeiras.

E nem a banca nacional tem a liquidez ou a dimensão necessárias para entrar, sequer, numa primeira linha de financiamentos a estes grandes projectos. Tudo isto é sabido já há muito tempo. E assim é porque as grandes decisões (as que movimentam os maiores investimentos) passam pelas sedes destas multinacionais e não pelas delegações locais. E depois, porque a dimensão dos investimentos (quatro a cinco vezes superiores a todo o PIB nacional anual) requer empresas que tenham músculo e histórico numa área que em Moçambique não existe.

Por isso, o grande desafio para 2020, diria, passa por começar a criar conhecimento num sector que será vital para o futuro da economia nacional e, por inerência, para o país e para todos os moçambicanos.

Sabemos que as empresas nacionais terão de se posicionar numa segunda, terceira ou quarta linhas de toda esta cadeia de valor. Até pode parecer um objectivo pouco ambicioso, mas não é. Longe disso. É realista apenas.

E pode render bons frutos no futuro se for visto como uma verdadeira e única oportunidade de crescimento.

Há estimativas que indicam que, de todo o investimento directo já anunciado para os próximos cinco anos no sector do oil & gas, até 2025, que deverá ser de entre 50 a 60 mil milhões de dólares, apenas 10% desse valor irá ser, de facto, “consumido” por empresas nacionais.

Dada a dimensão da economia nacional, até que não é mau. Podia ser diferente se ela estivesse mais adiantada no seu estágio evo-lutivo. Mas é o que é. E há que aproveitar. No melhor sentido, claro.

Porque, ainda assim, esses tais 10% só serão, de facto, uma mola impulsionadora de um verdadeiro tecido empresarial profissional em áreas como os serviços, o agro-negócio, a indústria e até o turismo se se começar, desde já, a operar a mudança.

Começando por preparar quadros de qualidade, certificando empresas em procedimentos de gestão, qualificando e implementando padrões de serviço que estejam de acordo com o que se faz de melhor num meio tão competitivo como este.

Porque aumentar a receita nem sempre significa fazer crescer a exigência, 2020 não pode iniciar uma década de repetição. Mas de evolução e confirmação.

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