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Redacção
August 25, 2019

A administração e os robôs

Frequentemente, os membros do conselho de administração questionam-se sobre se a abordagem aos negócios e o sucesso que tiveram no passado permanecem válidos num contexto de digitalização

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e inovação permanente. A minha resposta é convidar-vos para um exercício aparentemente simples: construir um robô. O ponto de partida é um kit inicial de robótica que contém todas as peças e componentes desmontados, em que há um tempo limite para montar o robô, programá-lo e pô-lo em funcionamento. No comportamento mais comum, o “orientado para a acção”, os membros da administração lançam-se directamente para a montagem, tentando descobrir a funcionalidade de cada uma

te processo de exploração é geralmente longo: há componentes que estão a faltar, partes que não se encaixam correctamente e, muitas vezes, tem de se desfazer e remontar. Nada disso desencoraja os participantes que estão a aprender progressivamente. Até que cerca de 20 minutos depois, eles colocam as peças com sucesso e o robô ganha forma. Apesar dessa conquista, a fiabilidade dos vários componentes ainda está pendente. De cada pequeno motor do robô, sai um cabo que deve ser conectado a uma pequena caixa de conectores localizada no corpo central. Todos os cabos são os mesmos, não há instruções e cada um é identificado apenas por uma letra e um número: A1, A2 até ao C4. Os membros do conselho redobram esforços e optam por testar as soluções mais lógicas: os conectores A correspondem à cabeça e pescoço, B aos braços, C às pernas. Uma lógica impecável que, ao ligar o robô, se mostra, no entanto, incorrecta. E recomeça-se o processo, de tentativa e erro. Após mais 15 minutos, o robô já está funcional. Tempo total: 35 minutos. Resultado: um robô funcional e cinco membros do conselho satisfeitos. No entanto, de tempos a tempos, surge outro comportamento, a que chamo de “orientado para a integração”. Nesse caso, enquanto os colegas montam o robô, um dos membros tende a separar-se do grupo. Depois de alguns segundos de dúvida, ele pega no telemóvel e começa a procurar vídeos explicativos sobre como montar e configurar um robô e, em apenas um minuto, é possível localizar pelo menos meia dúzia de vídeos que detalham como concluir com êxito a tarefa. Dois minutos depois, os restantes estão a seguir as instruções em detalhe e, em apenas cinco minutos, o robô está operacional.

Tempo total: 8 minutos. Resultado: um robô funcional e cinco membros do conselho satisfeitos. Estes dois comportamentos ilustram a maneira como as direcções ou administrações abordam a sua função principal: a construção de um portefólio de modelos de negócios. A abordagem mais comum implica que a organização tenha a maioria dos principais recursos necessários para o sucesso, a montagem do robô neste simples exemplo figurativo. Para isso, devemos acrescentar que esses recursos devem ser ajustados dinamicamente através de um processo baseado no método de tentativa e erro, o mais natural para construir relacionamentos dentro de uma organização; ou envolvendo fornecedores e parceiros de negócios. A abordagem minoritária é radicalmente diferente. A premissa básica é que muitas vezes não é necessário desenvolver o modelo adicionando recursos e ajustando-os posteriormente por tentativa e erro. De facto, é muito mais eficiente explorar os modelos existentes primeiro e se eles são apropriados para...

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