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Hermenegildo Langa
October 29, 2019

"AINDA NÃO ATINGIMOS OS NÍVEIS QUE DESEJAMOS"

Há anos que a questão da provisão do transporte urbano vem sendo um dos grandes problemas na capital do país e, ao que vamos vendo diariamente, ainda está longe de estar resolvida.

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No entanto, nos últimos tempos registaram-se melhorias substanciais, desde que o sector privado decidiu criar cooperativas para poderem beneficiar dos autocarros fornecidos pelo Fundo do Desenvolvimento dos Transportes (FTC), antes apenas alocados às enti-dades municipais.

Castigo Nhamane, presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), dá mais detalhes à E&M.

Qual é o real cenário dos transportes públicos de passageiros nas cidades de Maputo e Matola desde que estes passaram também a ser geridos ao nível das associações e cooperativas?

A criação das cooperativas veio melhorar, de forma geral, o sistema do transporte urbano na medida em que as associações têm crescido gradualmente e vêm ganhando, por sua vez, cada vez mais experiência. E também temos vindo a debater com o Governo no sentido de encontrar formas de melhorar os transportes. Estamos cientes das dificuldades financeiras como operadores e como país, mas sabemos que podemos ultrapassar esses problemas.

O que mudou em concreto?

Houve uma grande mudança apesar de ainda não termos atingido o nosso objectivo: chegar ao ponto em que o nosso munícipe deixe o seu automóvel em casa e comece a beneficiar dos transportes públicos, a qualquer hora que precisar, para chegar ao seu posto de trabalho ou escola. E quando chegarmos aí poderemos dizer que a nossa missão já está totalmente cumprida.

Como avalia a gestão desses autocarros por parte das associações?

É satisfatória, mas também ainda não atingimos os níveis desejáveis. Assistimos ainda a alguns carros a circular com pára-choques empenados ou outros problemas, o que não é do nosso agrado. No entanto, sabemos que os custos de operação são muito elevados em relação àquilo que é o rendimento dos operadores. Só que esta questão também tem que ver com o nível de vida dos nossos cidadãos. Sabemos que o que cobramos hoje em dia não é o que as contas ditam... Mas também estamos cientes de que é o que o nosso povo pode pagar, daí termos levado este ponto ao Governo. Pedimos alguma reflexão sobre o assunto e esperamos que um dia venhamos a ter uma resposta positiva naquilo que é a procura de solução para que ultrapassemos esses problemas.

Quantas associações estão filiadas à FEMATRO em Maputo e Matola?

Ao todo, no país, contamos com 33 associações. Depois, temos também oito cooperativas que estão a gerir estes novos autocarros.

E quantos autocarros lhes estão adjudicados?

Nas cidades de Maputo e Matola temos cerca de 300 autocarros. Este número inclui também os distritos de Boane e Marracuene.

Recentemente, as autoridades municipais da cidade de Maputo baniram os carros de caixa aberta, vulgarmente chamados de “My Love”. Estaria a FEMATRO preparada para atender à demanda caso a decisão não tivesse sido revogada?

Nós, enquanto FEMATRO, sabemos que as carrinhas “My Love” até nos tiram o negócio, mas nunca foi nossa posição serem banidas do ponto de vista da obrigatoriedade face à Lei. Aquilo que é o nosso ponto de vista é que os “My Love” têm de ter ‘uma morte natural’, digamos assim. Mas isso só será possível se oferecermos melhores transportes aos nossos munícipes. Então, os utentes e o Governo, juntamente com os transportadores privados, devem encontrar uma forma de o “My Love” desaparecer da mesma maneira que nasceu. Neste momento, a Agência Metropolitana de Transportes de Maputo (AMT), está a trabalhar com a FEMATRO na procura de uma solução para a introdução de um transporte misto que irá, asseguramos, resolver os problemas dos passageiros. E assim pensamos que, com todo esse sistema a funcionar bem, poderemos ver os “My Love” a desaparecer gradualmente.

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