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Redacção
January 2, 2020

Cinco características fascinantes do empreendedor chinês

A china é fascinante. Segundo Plínio, os fascinantes eram os feiticeiros. Porque não existe fascinação sem feitiço, sem mistério. Os feitiços e mistérios da China são muitos e de vários tipos.

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Na ‘longue durée’, a China sempre esteve aí, sem sair de cena total-mente; nos seus 5 000 anos de História já viu civilizações inteiras desaparecerem, muitas das quais o imaginário ocidental ainda considera imortais, apesar de a realidade evidenciar o contrá- rio. O que a manteve em pé durante tanto tempo? Qual é o seu ‘mis-terium fascinans’ capaz de encantar - desde que a humanidade tem memória - inclusive Clio, a caprichosa musa da História, que tantos males infringiu aos demais? “Para escrutar a vida é necessário fundá-la e fundamentá-la num Orbe. Fascinante mistério!”, relata-nos o poeta Antonio Colinas. É indubitável que a vida da China tem sido longa e que constitui um orbe em si mesma. Na ‘courte durée’, estamos a viver um período histórico onde tudo parece indicar que este século XXI será outro onde a China desempenhará um papel transcendental na História da humanidade. A sua força económica agiganta-se em minutos, e a sua influência cultural é cada vez mais patente. Tudo isto se traduz num certo ‘misterium tremens’ que faz com que o país esteja a co-meçar a ser temido. Dela mesma depende como usar os seus en-cantos, esse soft power, para ser percebida de uma maneira ou de outra. Em todo o caso, Clio parece estar novamente do seu lado. Mas se tivéssemos de escolher o seu actual fascinante mistério, este só poderia ser a vocação empreendedora da Nova China. O ‘Plano de Acção Empreendedorismo 2020’ da Comissão Europeia indica que o trabalho por conta própria na China é de 56%, enquanto nos EUA é de 51%, baixando na Europa até aos 37% (já tinha estado nos 45%). Para avaliar correctamente estes números é preciso destacar também que o citado Plano considera o empreendedorismo como a chave para atingir um alto nível de emprego e recuperar o crescimento após a crise de 2008. É neste âmbito que o Prof. Bin Ma, Director Académico do IE China Center, concebeu o relatório Chinese vs European Entrepreneurship: A ‘comparison’, baseada em questionários com empreendedores europeus e chineses entre Abril e Maio de 2019, recebendo 104 e 105 respostas válidas na China e na Europa, respectivamente. Do relatório é possível depreender várias conclusões acerca de como é o empreendedor chinês:

1. Mais mulheres empreendedoras.

No caso dos empreendedores chineses, 25% são mulheres, em comparação com os 18% dos europeus. É evidente que esta proporção de um para quatro não é suficiente para equilibrar a balança, mas deixa claro como a economia chinesa mudou. 2. Mais proprietário.

O empreendedor chinês é mais reticente ao financiamento externo. Por essa razão, costumam evitar o capital externo, incluindo o investimento estatal por recear a perda de controlo na empresa. Conforme o relatório, 75 empresas chinesas têm titularidade própria, em comparação com 57 europeias.

3. Mais tecnológico

Os dados revelam que, entre as empresas chinesas analisadas, 52,8% se dedicam a assuntos tecnológicos, enquanto nas europeias a percentagem é reduzida: 34,2%.

4. Mais maduro e com melhor formação.

Os empreendedores europeus são consideravelmente mais jovens que os seus colegas chineses (médias de 39,02 anos e 42,66, respectivamente). Segundo o Prof. Bin Ma, uma das possíveis explicações para esta diferença é a formação: os empreendedores chineses dedicam mais tempo aos estudos universitários, mestrados e doutorados: 82%, um número muito superior aos 67% dos europeus.

5. Menos dorminhoco.

Por último, os dados indicam que os empresários chineses dor-mem menos que os seus equivalentes europeus conforme dois indicadores, a saber: 1) o número de horas dormidas na noite anterior: os europeus dormem 7,02 horas, os chineses 6,99 horas; e 2) a média de horas de sono por noite: os europeus 7,05, os chineses 6,96. Parece confirmar-se que os chineses estão a adoptar os famosos longos dias de trabalho das startups de Silicon Valley. A presente guerra comercial entre EUA e China, os ruídos das espadas anunciando uma possível crise económica com dimensões que ainda não foram bem calculadas, são factores que poderiam estar a embaciar os nossos óculos, impedindo-nos de tirar valiosas conclusões sobre uma maneira de empreender e aventurar-se no mundo, que contribuiu com mais de 60% para o crescimento económico da China e do seu fascinante e crescente desenvolvimento

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