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Hermenegildo Langa
October 20, 2019

Droga, um mal que consome o país

O consumo e tráfico de drogas ilícitas está a atingir níveis preocupantes no país. Dados do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga indicam que, entre 2012 e 2016,

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...foram apreendidos 27 mil quilos de “cannabis sativa”,vulgo ‘soruma’, seis toneladas de haxixe, mais de uma tonelada de efedrina e 553 quilogramas de heroína. Entretanto, em 2017, as autoridades apreenderam cerca de oito toneladas de soruma, das quais 73,39% na província da Zambézia, no Centro do país. Este mal atinge sobretudo adolescentes e jovens, considerados os grupos mais vulneráveis.

O relatório das Nações Unidas de 2019 também aponta que cerca de 35 milhões de pessoas sofrem, em todo o mundo, de transtornos por uso de drogas, mas apenas uma em cada sete recebe tratamento médico adequado.

Até aqui, nota-se que o país já se encontra num nível preocupante, mas o mais grave, pelas informações que vêm sendo reportadas pelos órgãos de comunicação social, é que o país se tornou, nos últimos tempos, num corredor aberto ao tráfico para abastecer o exterior, sobretudo a África do Sul e um conjunto de países da Europa. E, pela permeabilidade das nossas fronteiras, os traficantes exploram a vasta fronteira terrestre e os cerca de 2 500 quilómetros de costa.

Na verdade, esta é uma situação grave para qualquer país que luta contra o enriquecimento ilícito, sobretudo pela lavagem de dinheiro que já tomou conta de inúmeros segmentos económicos em vários países africanos, e não só.

A questão aqui é simples: sabemos que o país é usado, há tempo de mais, como corredor para o tráfico de drogas. Mas de onde vêm essas drogas? Quem são os produtores? E por que o nosso país é usado como corredor? Nesta senda, muita coisa existe por ser esclarecida, a bem da saúde pública. No entanto, o que a realidade mostra é que, em regra, não passam duas semanas sem que as autoridades reportem alguma apreensão. Mesmo assim, os traficantes não se cansam de desafiar as autoridades.

Leva-me a pensar que, para lá do que é apreendido, existam muitas outras coisas que escapam dos radares das autoridades. E, quando isso acontece, pode crer-se que a ousadia terá valido a pena. Se a má fama se transformasse em pontos para ganhar algum Óscar, o nosso país seria um dos mais cotados no tráfico de droga, marfim ou madeira.

É recorrente as nossas autoridades apreenderem cidadãos nacionais ou estrangeiros transportando drogas, mas, mesmo sabendo desde logo que esses não são os verdadeiros donos, nunca convocam a imprensa para apresentar os legítimos donos dessas maléficas mercadorias, o que suscita muitas dúvidas sobre a eficácia desse combate.

O comportamento das nossas autoridades leva-nos a pensar que simplesmente se “contentam” em prender os cidadãos usados para transportar essas drogas.

No meu modesto entender, seria interessante um dia ouvir da Polícia que conseguiu deter os verdadeiros donos dessas drogas que tanto mal criam na nossa juventude.

Sem menosprezar o esforço das autoridades da Lei e Ordem, acho que há necessidade de envidar mais esforços, se realmente as nossas autoridades gostariam de ganhar crédito no seio da sociedade.

Sabe-se que não é tarefa fácil chegar a estes barões, mas é preciso que a nossa Polícia comece a valorizar o seu juramento. Se isso acontecer, acredita-se que essas pessoas que usam Moçambique como corredor de drogas, e até mesmo os seus consumidores, poderão se sentir-se minimamente ameaçados

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