1
Redacção
January 29, 2020

ENERGIA REVIGORA INTERIOR DO PAÍS

O GET.invest é um programa europeu que apoia investimentos em projectos descentralizados de energia renovável em países em desenvolvimento. Com foco na África Subsaariana

1
2
Redacção
Fotografia
:

Aponta agora para o Centro e Norte de Moçambique

Faz parte da plataforma europeia get.pro implementada pela GIZ - Cooperação Alemã para o Desenvolvimento e opera em diferentes segmentos de mercado de energia renovável descentralizada, incluindo pequenos produtores independentes de energia (IPPs), energia comercial e industrial, mini-redes, sistemas solares autónomos, bem como soluções de cozinha limpa. É apoiado pela União Europeia (UE), Alemanha, Suécia, Holanda e Áustria.

O GET.invest tem o objectivo de mobilizar o sector privado, fornecendo informações de mercado, estimulando a procura, procurando o estabelecimento de parcerias através de eventos e fortalecendo associações que acrescentem verdadeiro valor a uma cadeia produtiva que é preciso incentivar.

Além de tudo isto, apoia o desenvolvimento de um pool de projectos através de formação e consultoria (Finance Catalyst), desenvolvimento de documentos de projecto e criação de capacidades públicas e privadas para apoiar um “ambiente propício” ao surgimento de novos projectos relacionados com energia renovável descentralizada.

Até porque, ainda hoje, mais de 70%, dos cerca de 28 milhões de moçambicanos não tem acesso à energia eléctrica nem sequer uma perspectiva de que isso possa acontecer num futuro breve.

Lançamento

Neste contexto, no passado dia 20 de Novembro, o Ministério de Recursos Minerais e Energia de Moçambique (MIREME) apadrinhou o evento de lançamento da Facilidade de Preparação de Energias Renováveis, organizado pela Delegação da União Europeia em Moçambique, uma iniciativa que faz parte da PROMOVE, uma estratégia abrangente de desenvolvimento rural desenvolvida pela UE em estreita coordenação com o Governo moçambicano.

A Facilidade de Preparação de Projectos da PROMOVE anunciou, então, um programa de apoios através da criação de um Centro de Recursos com a função de capacitar o sector público ligado às energias renováveis de Moçambique, responsável por fornecer à entidade reguladora de energia no país e ao MIREME todo o apoio técnico com vista ao desenvolvimento de projectos públicos, que visem incrementar a utilização de sistemas de energias limpas. A começar pelo investimento necessário à instalação de empresas que os promovam.

Depois, o GET.invest, que tem precisamente o seu foco no aumento do investimento do sector privado nas energias sustentáveis, é um programa que mobilizará empresas e promotores privados e irá desenvolver um pipeline de projectos de energia renovável em todo o território nacional, com especial enfoque nas zonas rurais do Centro e Norte do país, regiões onde a cobertura da rede energética, e por razões óbvias relacionadas com a geografia, é, ainda hoje, demasiado baixa.

No evento realizado no Hotel Polana, em Maputo, foram então apresentados os detalhes da estratégia do PROMOVE em Moçambique (414 milhões de euros dedicados a uma resposta integrada com maior foco nas províncias de Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado) e anunciadas as actividades específicas do Centro de Recursos e do GET.invest.

Para Antonio Sanchez-Benedito, Embaixador da UE em Moçambique, “alavancar a iniciativa privada é um dos grandes objectivos deste mecanismo, bem como reforçar a capacitação das instituições públicas como a EDM, o Mitader ou a FUNAE nesse sentido.” E prosseguiu: “o grande objectivo é desenvolver o potencial das energias renováveis e os interesses do sector privado para que, até 2030, se consiga esse grande desígnio nacional que é o acesso universal à energia”.

Neste mesmo âmbito, a promoção de fogões melhorados, a geração de energia através da produção independente, o PRODER (Programa Nacional das Energias Renováveis), ou o ELECTRIFY, que já está a ser aplicado pelo sector privado, são, na opinião de António Sanchez-Benedito, “mecanismos essenciais para aumentar a produção energética nacional e, até, criar uma importante e única oportunidade de exportação de energia para a região adjacente. Mas todo este esforço conjunto tem como base o engajamento e as políticas do Governo neste sentido. Queremos que a UE lidere em parceria com as entidades públicas. Serão, para já, investidos 172 milhões de euros, os recursos não faltam e as ideias também não. Queremos ajudar a transformar este país.”

Já Peter Toffman, director da GIZ em Moçambique, explica que “a mobilização de investimentos em energias renováveis e em projectos ongrid, ligados à rede e isolados ou offgrid, fazem parte daquilo a que chama um ‘scalling up’ de outros programas na área dos sistemas solares e energia para cozinhar, por exemplo, mecanismos que, com a ajuda do sector privado, podem fazer a diferença na vida de milhões de moçambicanos. Temos um projecto de Finance Catalyst onde já recebemos mais de 500 candi-daturas, já temos mais de 100 projectos aprovados de 25 fontes de financiamento diferentes. É uma janela de investimentos, que segue o trabalho que havia antes, mas cada vez com maior foco no futuro”, explica.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, sublinha a importância da iniciativa. “A UE tem sido um grande parceiro para o sector da energia moçambicano, que é, como sabemos, um dos vectores mais importantes do desenvolvimento económico e social do nosso país. Foi precisamente por isso que lançámos o Programa Energia para Todos. As energias renováveis gozam de um grande privilégio, e no quadro da implementação do Plano Integrado de Estruturas de Distribuição de Energia, contamos que as renováveis venham a constituir 20% de toda a energia gerada em Moçambique num prazo de 20 anos. É nas renováveis que está a solução óptima de menor custo para os locais mais remotos de Moçambique”, concluiu.

Em destaque

7

Leia também