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Redacção
January 29, 2020

ENTRE O DESERTO E O MAR

A terra onde o deserto encontra o mar é uma das mais visitadas províncias de Angola graças às suas imensas potencialidades turísticas. Acessível por estrada é, no entanto...

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...mais simples de visitar de avião, já que a viagem de automóvel é demorada. A companhia aérea angolana TAAG assegura ligações domésticas entre Luanda e o Namibe aos domingos, segundas, quintas e sextas-feiras, sendo que voa também de Maputo para Luanda três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras. Aproveite a escala na capital angolana para conhecer melhor a renovada marginal da cidade, passear entre o bulício dos candongueiros e das zungueiras na baixa e tomar uma bebida refrescante numa esplanada da Ilha do Cabo.

A viagem de Luanda até ao aeroporto Yury Gagarin dura cerca de 1h20 e os últimos minutos de voo já a justificam

Sobrevoar o deserto, observar os leitos dos rios já desaparecidos e os desfiladeiros milenares é um espectáculo difícil de esquecer.

O percurso entre o aeroporto e a cidade de Moçâmedes permite ter uma ideia da paisagem que vai encontrar frequentemente nos próximos dias: uma planície arenosa, pontilhada aqui e ali por arbustos baixos e alguma vegetação rasteira, rasgada, de vez em quando, por seixos gigantes que “nascem” do chão. A pouco e pouco as casas vão-se multiplicando e, em breves minutos, estamos no centro de uma cidade que nos remete para épocas passadas graças a vários edifícios representativos da arquitectura colonial.

Outros, mais modernos do final da época colonial, surpreendem, como o mercado, o Cine Impala ou ainda a arrojada estrutura, nunca terminada, do Cine-Estúdio, que nunca chegou a sê-lo, e que lembra uma welwitschia – uma espécie de planta que só existe no deserto do Namibe – de betão.

Na marginal da Baía de Moçâmedes, que alberga o porto da cidade (o terceiro maior do país, depois dos de Luanda e do Lobito), podemos visitar as grutas do Morro da Torre do Tombo em cujas paredes ficou inscrita a história dos primeiros colonos que aqui chegaram e ali se abrigaram.

O passeio pela marginal inclui, obrigatoriamente, uma paragem numa esplanada para nos deliciarmos com um dos famosos caranguejos do Namibe, acompanhado por uma bebida bem fresca.

Nos arredores da cidade, a Norte, atravessamos o habitualmente seco, mas muito fértil, leito do rio Bero, para visitar a zona das velhas “hortas”, onde ainda hoje dão fruto espécies tão incomuns por estas paragens como a oliveira e a vinha, e rumamos depois ao farol Giraúl, que se ergue imponente sobre o cenário único do abandonado porto mineraleiro de Saco-Mar, antes de mergulharmos em algumas das praias mais bonitas da região, como as da Baía das Pipas ou do Mucuio.

o fascínio do deserto

De manhã cedo rumamos a Sul e, a meia dúzia de quilómetros do centro da cidade, paramos na Praia Amélia para visitar a antiga capela ali erigida em honra a Nossa Senhora dos Remédios.

Retomamos a viagem para, pouco depois, encostarmos o carro na berma da estrada para prestar homenagem ao escritor Ruy Duarte de Carvalho, colocando uma pedra no Memorial construído à entrada do deserto que tanto amou e onde foram depositadas as suas cinzas.

A partir deste marco começamos a encontrar as velhíssimas welwitschias mirabilis, plantas que escolheram estas terras inóspitas para florescerem.

Alguns quilómetros à frente entramos pelo deserto em busca da Lagoa dos Arcos, um oásis que na época das chuvas se transforma numa imensa lagoa.

Estamos já perto dos limites do Parque Nacional do Iona, uma das zonas mais agrestes do país e do deserto mais antigo do mundo, que dá o nome à província.

Uma viagem mais demorada oferece aventuras únicas aos mais ousados, como cruzar o deserto em direcção à foz do Cunene, pernoitando sob um magnífico céu estrelado, para regressar a Moçâmedes pelo arriscado caminho costeiro, contornando dunas trai-çoeiras e passando em frente à Baía dos Tigres, rota que só deve ser opção na companhia de um guia que conheça bem a região.

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