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Pedro Cativelos
October 20, 2019

HÁ UM ENORME POTENCIAL DE CRESCIMENTO

A caminho dos três anos de funcionamento operacional, a CDN (Corredor de Desenvolvimento do Norte), pela voz do CEO, Wellington Soares, faz um balanço positivo de

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...uma operação que ainda não ‘anda sobre carris’. No transporte de carvão, operação gerida pela CLN (Corredor Logístico de Nacala, que gere também a infra-estrutura ferro-portuária), e da qual é também o CEO, mas também no transporte de carga geral. Até porque, apesar do “enorme potencial do carvão”, será esse o factor decisivo para o grande crescimento do Corredor “que chegará com o desenvolvimento económico do país”, diz à E&M.

Que desafios encontrou e como os resolveu desde 2014, quando chegou?

Nessa época, o Corredor de Nacala estava em reabilitação e não se tinha iniciado a operação. A linha foi inaugurada em 2017 com capacidade total de transporte de 18 milhões de toneladas de carvão e 2 milhões de carga geral. No carvão, oriundo de Moatize com direcção a Nacala, tem sido feito um trabalho de evolução. Neste momento há dificuldades de operação na mina, é sabido, mas irá chegar aos 18 milhões de toneladas por ano. No outro negócio, o da carga geral (gerido pela CDN), tem havido uma evolução constante nos negócios de fertilizantes, trigo, contentores, o que demonstra a confiabilidade que é o Corredor do Norte. Temos uma operação segura, confiável e isso tem sido um motor para esta evolução. No ano passado transportámos 500 mil toneladas de carga geral e já no ano que vem chegaremos às 700 mil.

De que forma a obra de reconstrução do Porto de Nacala, agora em curso, terá impacto nos níveis de carga transitada e em toda a operação da CDN e da CLN?

A obra do Porto incide no aumento da capacidade instalada, na melhoria das infra-estruturas, equipamentos, em questões de drenagem e na parte eléctrica, benefícios que o irão transformar numa infra-estrutura mais moderna. Isso terá um impacto grande na operação porque vai duplicar a capacidade de manuseamento de carga do Porto de 2 para 4 milhões de toneladas por ano. A sintonia com a política geral das infra-estruturas do país é constante, claro. O Porto vai evoluir por duas vias: na confiabilidade e eficiência da operação. E depois, vai ser adicionada capacidade a um Porto que tem vocação natural para ser um hub, uma vez que está próximo da região de Pemba e dos grandes consumidores de commodities, como a Índia e a China. O próprio Governo tem uma expectativa forte e estamos em total sintonia. Da nossa parte, o projecto é desenvolver, crescer e gerar emprego. A CDN emprega aproximadamente 400 pessoas no Porto e a ferrovia cerca de 700 pessoas de forma directa, e mais de mil indirectamente.

Como funciona a interligação entre a CDN e a CLN?

São dois negócios independentes. O controlo accionista pertence 50% à japonesa Mitsui e 50% à mineradora Vale, sendo a gestão independente. A CLN, com o carvão, tem um cliente fixo que é a Vale, que tem a operação de ferrovia e do Porto. E na CDN, onde temos o negócio de carga geral, há vários clientes. A parte operacional tem de funcionar de forma harmónica porque a ferrovia é a mesma e o centro de controlo é um único. E aproveito para dizer que é o mais moderno de África e comparável aos da Europa e Estados Unidos. E totalmente operado por moçambicanos, é de salientar.

Havendo outros players a extrair carvão, eles poderão utilizar a linha?

Neste momento, não utilizam porque nunca fomos demandados para isso, mas o terminal de carvão é multiusuário e pode ser utilizado por qualquer empresa.

Qual é o grande potencial de crescimento no Corredor de Desenvolvimento?

O carvão vai crescer, é certo, mas o potencial ilimitado, digamos assim, está no negócio de carga geral que já está em desenvolvimento. Sempre foi um negócio deficitário, mas a partir do momento em que chegarmos às 700 mil toneladas por ano atingimos o break even. O movimento ainda é, hoje, de 80% a ir para o hinterland e 20% a ser exportada via Nacala mas, a cada ano, a tendência é crescer porque há oportunidades.

Que projectos existem de ligação a outros corredores de desenvolvimento?

Já estamos ligados à Linha do Sena e estamos a avaliar a ligação com a Zâmbia que conecta depois ao corredor Atlântico e ao de Dar-Es-Salam.

A CDN também faz o transporte de passageiros, que fará uma enorme diferença na vida das pessoas da região, embora seja uma operação pouco lucrativa, imagino...

Sem dúvida. O comboio trouxe uma mudança grande. Só no ano passado, foram transportadas 500 mil pessoas. Temos muito orgulho nisto, até porque é um bem social. Para nós, é prioritário porque representa uma alavanca de desenvolvimento em toda a região.

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