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Redacção
November 27, 2019

Macau CIDADE COM DUAS CARAS BEM DIFERENTES

A’ché – como todos a chamam – e tou tai, o Deus da Terra, partilham um pequeno templo há 12 anos. Ela vende incenso, ele acolhe os fiéis. A ela não lhe falta fé. Nele e em A-Ma,a Deusa dos Navegantes

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...adorada a escassos metros, num dos mais emblemáticos templos de Macau.

A-Ma, venerada na região sul da China, é vista por muitos como uma protectora da cidade. Disso e dos casais que conseguem ter filhos depois de lhe rezar, garante. “É um mito muito bonito,” diz A’Ché, olhos solenes, recordando um incêndio que uma vez atingiu parte do monumento. “A estátua da deusa A-Ma só ficou escura, não ardeu”.

Construído na encosta da colina da Barra há mais de 500 anos, nos tempos da Dinastia Ming, o Templo de A-Ma é o mais antigo de Macau. Pensa-se que terá sido a partir da baía de A-Ma – A-Ma gau, em chinês – que terá surgido o nome que os portugueses da-riam à cidade, quando ali chegaram em meados do século XVI. Segundo a lenda, A-Ma – ou Mazu, ou Tin Hau, como também é conhecida – seguia num dos vários barcos que navegavam perto daquela zona quando uma terrível tempestade se abateu sobre o mar. O pescador da embarcação onde seguia – o único que tinha aceitado transportá-la – saiu ileso da intempérie, ao contrário dos outros. “Por isso é que qualquer pescador que vá para o mar vem aqui pedir protecção primeiro”.

Qualquer visita a Macau impõe um périplo pelos lugares de culto que retratam o ambiente de tolerância religiosa que sempre pautou o território. Mas há muito mais a não perder, como o Farol da Guia – o mais antigo da China e um dos monumentos mais queridos da população local – ou o célebre Largo do Senado com a sua arquitectura neoclássica bem no coração da cidade.

As Ruínas de São Paulo são o ex-libris de Macau. Delas fazem parte a imponente fachada da antiga Igreja da Madre de Deus, e os vestígios do antigo Colégio de São Paulo, ambos destruídos por um incêndio no século XIX.

Com uma população de pouco mais de 647 mil habitantes espalhados por cerca de 30,3 quilómetros quadrados – entre a península de Macau e as ilhas da Taipa e Coloane —, Macau é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo. A melhor forma de explorar o património cultural de Macau é enveredando a pé por ruelas, becos e pátios. Além dos monumentos listados pela UNES-CO, a história da cidade descobre-se também nos mercados – como o Mercado Vermelho –, no cais do Porto Interior, nos vendedores ambulantes, nos yam t’cha das tasquinhas chinesas, nos restaurantes macaenses, na velha vila da Taipa, ou na Colina da Penha que vigia o lago artificial Nam Van.

Duas cidades numa só

Macau esteve sob administração portuguesa até Dezembro de 1999, quando se tornou numa região administrativa especial da China. Ao longo dos mais de dez anos em que A’Ché vende lisonjas na Barra, a cidade mudou. Macau recebe mais de 30 milhões de turistas, a maioria vinda da China continental. É o resultado da liberalização do sector do jogo, formalizada em 2002, e que trouxe à cidade investidores, jogadores em massa e grandes apostadores.

Macau é uma cidade com duas cidades dentro. É a Macau multicultural, da fusão de sabores e tradições – a que se vê na arquitectura de matriz ora Ocidental ora Oriental, a que se lê nas tabuletas escritas nas duas línguas oficiais (chinês e português) e a que se assume politicamente como ponte entre a China e os países de língua portuguesa.

Mas Macau é também, fora dos discursos oficiais de promoção turística, a Macau “Las Vegas do Oriente” – é a capital mundial do jogo, com casinos, entretenimento, restaurantes de estrelas Michelin e luxuosos empreendimentos hoteleiros, muitos deles localizados no Cotai, uma espécie de equivalente à strip de Las Vegas.

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