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Redacção
November 11, 2019

Moçambique deve começar a preparar a criação de Fundo Soberano

O vice-presidente do BAD, Sherif Khaled, defendeu ontem, que o país deve começar a preparar a criação de um Fundo Soberano para gerir as futuras receitas da exploração do gás natural

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Para o vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Sheirf Khaled, “a exploração de gás natural pode melhorar, e muito, as condições económicas, fazer com que o país tenha mais receitas e contribuir para um nível mais alto de excedente orçamental e, nesse ponto, Moçambique pode pensar na criação de um fundo soberano ou outro veículo financeiro para ser uma almofada contra choques futuros e ajude o povo moçambicano”.

Em entrevista à Lusa em Abidjan, à margem da reunião extraordinária de governadores do BAD que aprovou o aumento de capital do banco para 208 mil milhões de dólares, o vice-presidente com o pelouro da Integração e Desenvolvimento Regional salientou que os mega-projectos de gás natural no norte do país podem contribuir para melhorar as condições dos outros sectores económicos.

“Pode melhorar a agricultura de subsistência e evoluir para um agro-negócio com uma estratégia dinâmica e integrada, e pode fomentar a electrificação com diferentes soluções energéticas, pode potenciar outras indústrias, como os plásticos, fertilizantes e metais, como o alumínio, por isso estamos encorajados que a exploração de gás natural pode ser uma maneira de garantir a estabilização macroeconómica”, apontou o banqueiro.

O ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, disse em Setembro em Maputo que o país vai instituir um fundo soberano com as receitas da indústria extractiva, faltando apenas definir o montante e a finalidade da verba.

Moçambique, considerou o responsável do BAD, é um exemplo perfeito de um problema que afecta várias nações africanas, com altos níveis de pobreza e baixo rendimento para investimentos do sector privado.

“Moçambique é um pais de 27 milhões de pessoas, com metade delas a viver com menos de dois dólares por dia, e com este rendimento, o nível de consumo dará um sinal muito negativo ao sector privado para investir, e o desemprego torna-se persistente e inevitável”, disse Sherif Khaled, apontando que “é preciso criar riqueza, que vai aumentar o nível de rendimento que, por sua vez, aumenta o consumo e potencia a iniciativa privada, garantindo investimentos e empregos”.

Mesmo com estas dificuldades, que incluem um défice de 4 a 5% do PIB entre 2011 e 2017 e catástrofes naturais cíclicas, “é extraordinário que Moçambique ainda tenha conseguido acabar 2018 com um crescimento de 3,5% e que deva crescer 5,8% no próximo ano”, elogiou o vice-presidente do BAD.

Estes crescimentos, concluiu, “são um reflexo das reformas em curso para limitar a inflação, melhorar as empresas públicas, a posição orçamental, o fim dos subsídios, e todas estas alterações atestam a seriedade do que o Governo está a fazer”.

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