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Celso Chambisso
January 17, 2019

Moody’s mantém Moçambique no nível mais baixo da recomendação para receber investimentos

A classificação é baseada na prevalência, este ano, da incapacidade do país em pagar as prestações da dívida

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A agência norte-americana de notação financeira Moody’s mantém Moçambique no nível mais baixo da recomendação para receber investimentos, devido ao seu histórico de incumprimento no pagamento das prestações das dívidas (as mais destacadas são as da EMATUM, Proindicus e MAM). A classificação do país atingiu os patamares de “lixo”.

 

A agência de notação financeira Moody’s diz não esperar qualquer melhoria na qualidade do crédito em nenhum dos países da África Subsaariana, este ano, sustentando que a perspectiva de evolução é, de forma geral, negativa na região.

Para o caso concreto de Moçambique, que já antecipou em comunicado que não vai pagar o cupão da dívida soberana previsto para o dia 18 do corrente mês, os analistas da Moody’s classificam o país no nível Caa3, ou seja, patamar conhecido por “lixo”, devido ao incumprimento financeiro com os credores.

Moçambique está no mesmo nível que a “irmã” Angola no que toca ao desencorajamento para investimentos, ou seja, ambos estão no patamar “lixo”. Porém, Luanda leva uma ligeira vantagem no rating em relação a Maputo, ao se classificar no nível do B3 com perspectivas de evolução estável.

Assim, a Moody’s antecipa que o serviço do pagamento da dívida vai aumentar em muitos países na região este ano e a médio prazo, embora a ritmo menor, dada a estabilização dos níveis da dívida. Este cenário deixa menos espaço para responder a choques externos e apostar no desenvolvimento e na despesa social.

A Moody’s antecipa para África subsaariana um crescimento económico de 3,5% em 2019, contra 2,8% do ano passado. Mas alerta que o crescimento não será suficientemente forte.

De recordar que esta discussão em torno da confiança de Moçambique internacionalmente foi levantada após a contratação de dívidas não declaradas ao parlamento, no valor de 2,2 mil milhões de dólares para a constituição de três empresas- a Proindicus, MAM e Ematum. Esta última é uma empresa de pescas de atum para a qual foram compradas embarcações em 2013 (na foto) e que até hoje ainda não foram utilizados, estando acostados no porto de Maputo.

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