1
Celso Chambisso
January 24, 2019

Nações Unidas revelam queda do investimento externo em 26% no país em 2018

A UNCTAD prevê recuperação do IDE a longo prazo, quando o gás começar a ser explorado e quando a produção de carvão expandir

1
2
Fotografia
:

No seu World Investment Report 2018, divulgado esta segunda-feira, em Genebra, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revela uma queda em 26%, para 2,3 mil milhões de dólares, do volume do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) no ano em referência, face a 2017.

O número continua longe do pico de há cinco anos, quando Moçambique (com cerca de 7 mil milhões de dólares) foi a segunda economia africana receptora do IDE, depois da Nigéria, mas que veio a cair acentuadamente nos anos que se seguiram, perante a crise económica, também marcada pela redução do preço do carvão e do petróleo no mercado internacional (que são os sectores mais determinantes na atração de investimentos externos), tendo desincentivado os investidores.

A UNCTAD prevê um cenário promissor a longo prazo, uma vez que o país espera contar com o potencial de gás natural liquefeito a ser explorado a partir de 2023, podendo expandir significativamente a receita interna. Também considera que o carvão é outra matéria-prima que irá alavancar os investimentos em Moçambique.

Sobre a indústria do carvão, em particular, a UNCTAD aponta o consórcio de investidores chineses, britânicos e sul-africanos, cujos projectos estão em seu estágio inicial.

A queda do IDE no país reflecte também o que acontece no mercado regional (África Austral), onde a queda do IDE no ano passado foi de 66%.

Na África do Sul, por exemplo, diminuiu 41%, para 1,3 mil milhões de dólares, influenciado pelos baixos preços das principais commodities de exportação e incerteza política; Na Zâmbia, verifica-se um contraste com a restante realidade da África Austral, com o IDE a aumentar em 65%, para 1,1 mil milhão de dólares, devido ao crescimento da indústria de cobre.

A UNCTAD recorda ainda que em Março de 2018, pelo menos 44 economias membros da União Africana (UA) assinaram o acordo de facilitação do comércio livre, conhecido por AfCFTA. Nigéria e África do Sul são grandes ausentes desse acordo. Se ratificado e implementado com sucesso, será o maior acordo do comércio desde a criação da Organização Mundial do Comércio em 1995, e o seu impacto no IDE será principalmente em investimentos que não procuram commodities.

Em destaque

7

Leia também