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Redacção
January 2, 2020

Os ‘bis’ no discurso. E a formação

Dizem-nos as notícias que o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, ao discursar num fórum sobre RH de-dicado á banca...

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...lançou um desafio audacioso a um grupo de jovens bancários que o ouviam atentamente, incitando-os a buscarem cada vez maiores e melhores qualificações “para que os bancos não tenham de vir a terceirizar os serviços”.

O ministro manifestava, desta forma, a férrea vontade de os apoiar nessa jornada de conhecimento pessoal e descoberta profissional, mas também anuiu que, só o apoio do Governo, “não é suficiente” para impulsionar formação contínua de milhões de moçambicanos.

Este é, um repto fundamental e não são apenas os jovens bancários que têm merecido as atenções de quem analisa o futuro próximo da economia nacional à luz da formação de quadros que é, de facto, premente. Na banca, como na indústria, no turismo, nos serviços e claro, nas extractivas, com o sector do oil&gas á cabeça.

Não têm sido poucos os empresários que se têm lamentado pelo facto de estarem a começar a ver-se privados de alguns dos quadros fundamentais para o normal crescimento e desenvolvimento dos seus negócios.

Assim, de um momento para o outro, um número cada vez maior de funcionários qualificados, muitos deles com tarefas iminentemente técnicas, estão a começar a “desertar” para as grandes empresas que já iniciaram, como se sabe, os processos de recrutamento para os mega-projectos que vão iniciar na Bacia do Rovuma. Desertar será uma palavra demasiado forte. Procuram o melhor caminho profissional para si e pacotes salariais mais vantajosos e é justo que o façam, claro.

Ainda nesta edição, o director-geral da Cimentos de Moçambique, Edney Vieira aponta essa realidade, falando do tempo e investimento que requer a formação de um quadro para trabalhar numa das linhas de produção da cimenteira, sublinhando a necessidade de começar a diminuir os tempos de formação, antevendo a fuga, que já começou, dos seus quadros para os mega-projectos.

E não é o único a fazê-lo. As cervejeiras, as moageiras e outras médias e até grandes indústrias nacionais estão a começar a sentir a erosão dos seus quadros de recursos humanos, atraídos pelos valores praticados pelas grandes empresas de oil&gas que preferem, e bem, nesta primeira fase, trabalhadores nacionais. A solução passa pela formação de qualidade. E a vários níveis. Porque quando os “bis” começarem a jorrar do Rovuma como já começaram a brotar nas conversas do dia a dia, será tarde para começar a formar jovens moçambicanos para apanharem o comboio do desenvolvimento.

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