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Celso Chambisso
January 29, 2020

QUEREMOS AMPLIAR O ESPAÇO DA MULHER

OPORTUNIDADES Programas de formação abrangem áreas técnicas e têm duração de três semanas a dois meses

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Fotografia
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O muva é um programa filantrópico desenhado com o propósito de testar diferentes abordagens do empoderamento da mulher. É financiado pelo Reino Unido através de uma empresa denominada Oxford Policy Manangement. Começou em 2015 e já está a transformar-se numa associação moçambicana.

Tem intervenções transversais em Moçambique, com resultados no acesso a oportunidades económicas por jovens, principalmente mulheres. Já prestou assistência a mais de 1 500 pessoas ao longo dos quase cinco anos no país, o que lhe tem valido algumas distinções internacionais. À E&M, Luze Guimarães explica o projecto.

A vossa área de actuação é o melhor ponto de partida para uma clara percepção de toda a agenda que trazem para o país. O que é o Muva?

A nossa história foi inspirada nas duas grandes agendas globais: as mudanças climáticas e a igualdade de género. Aqui, a preocupação foi sempre em torno dos Direitos Humanos, mas o lado económico sempre foi deixado de lado. Assim, o propósito do programa é criar competências viradas para a mudança social e económica.

Como é que é orientada a agenda do projecto?

Somos uma incubadora social que trabalha em áreas cujo objectivo final é o de facilitar o acesso de mulheres à actividade económica remunerada. Temos um portefólio de cerca de 20 projectos diferentes que fomos desenhando junto de jovens dos bairros periféricos de Maputo e da cidade da Beira. Nos nossos programas, trabalhamos com ferramentas como empreendedorismo digital, inserção no mercado de trabalho e em áreas nas quais quase nenhuma outra organização tem intervenção.

Em que aspectos específicos é prestado esse apoio?

As mulheres têm menor acesso ao trabalho remunerado, tal como os jovens, de uma forma geral. Para um país com uma pirâmide etária de quase 75% de população jovem, significa que o país se tenta desenvolver recorrendo a uma proporção muito pequena da sua população. A economia deveria contar com toda a população activa. Muitos projectos tentam uma intervenção focada num único aspecto (educação, educação formal ou educação técnica), mas há muitas pesquisas que mostram que este modelo não é eficaz por-que as pessoas são demasiado complexas. Por isso, nas nossas intervenções focamo-nos em três áreas: habilidades técnicas, instituições (para conferir uma série de oportunidades, por exemplo, de trabalho, crédito onde funcionamos como uma ponte) e o fortalecimento da inspiração, que é o aprimoramento da confiança em si próprio.

Como é feita, em concreto, a vossa intervenção?

Na missão de facilitar o acesso ao trabalho por jovens (num mercado em que apenas 10% da população tem acesso ao trabalho formal e onde há falta de competências), começámos a desenvolver uma formação focada na empregabilidade para complementar as formações técnicas e trazer as oportunidades de estágio. O jovem que se inscreve em qualquer dos nossos programas pode ser seleccionado e beneficiar de uma formação técnica de soft skills, cuja duração vai de três semanas a dois meses, dependendo do seu perfil. No processo, fazemos a ponte entre este e o mercado de trabalho e o resultado da formação faz toda a diferença na óptica dos empregadores.

Que requisitos precisam de preencher para beneficiarem da assistência nos vossos projectos?

O que fazemos é trabalhar em conjunto, dialogar. Nos diferentes projectos, temos diferentes sistemas de selecção. Por exemplo, quando falamos em jovens temos uma definição que vai dos 16 aos 35 anos. Trabalhamos em meios urbanos e peri-urbanos. E a intervenção consiste em promover o acesso à actividade económica remunerada através de estágio, trabalho ou melhorando um negócio que a pessoa já vem desenvolvendo.

Foram, recentemente, premiados como melhor iniciativa de ecossistema em Moçambique e, depois, com o People´s Choice Award pelos Southern Africa Startup Awards. Qual o impacto que tiveram no vosso trabalho?

Foi uma competição com vários concorrentes, de todos os países da SADC, por isso orgulha-nos a distinção. É a prova de que a mudança que preconizamos não está só no papel.

Quais os grandes desafios para 2020?

Além de nos expandirmos para Zimbabué e Malaui. A nossa ambição é conseguir inserir o máximo de jovens possível nas novas oportunidades de trabalho e começar a trabalhar com mais PME. Em parceria com o ABSA, começaremos a fazer a formação de gestores para questões de género no trabalho

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