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Redacção
September 13, 2019

Restaurante Ficka

independentemente dos méritos do Ficka (e são vários, mas já lá iremos), o novo espaço que recentemente abriu na Baixa de Maputo não pode senão deixar-nos a pensar,

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Fotografia
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pela escolha que fez para a sua localização, como esta zona da cidade poderia hoje ser se a recuperação deste espaço histórico tivesse sido levada à prática. Não precisamos de ir tão longe como à Bourbon Street, em New Orleans, nos Estados Unidos, cuja recuperação a tornou num dos mais espaços mais emblemáticos da cidade e um ponto de atracção

turística mundial. Mas não, não é preciso ir tão longe. Basta atermo-nos a outras cidades no continente africano para percebermos como tudo poderia ser diferente.

Não é este certamente o espaço adequado para explanar como, ao longo das décadas pós-independência, por várias vezes se equacionou a questão da recuperação da Baixa de Maputo. Mas, para os mais curiosos, não resistimos a sugerir, por exemplo, a leitura da tese de doutoramento de Lisandra Ângela Franco de Mendonça (“Conservação da Arquitectura e do Ambiente Urbano Modernos: A Baixa de Maputo”) através da qual não só nos é dada uma fascinante contextualização histórica como podemos compreender melhor as razões da presente (e triste) situação a que a zona está votada (o estudo está online). Mas deixemos o passado. O que o Ficka deixa claro é que, mais do que um espaço gastronómico, se trata de um projecto com um “conceito”, um “concept restaurant”. O que define um “concept restaurant”? De forma muito resumida, é a “ideia” (ou o “tema”) que, antes de qualquer outro aspecto, preside à organização do espaço, à sua decoração, ao design (nos seus mais pequenos detalhes), ao estilo do serviço e, claro, last but not the least, à proposta gastronómica. Num “concept restaurant”, a qualidade do produto culinário e o desfrute gastronómico são, como sempre, factores essenciais, mas o que é genuinamente decisivo é a totalidade da “experiência” de quem o visita, ou seja, a percepção que fica de que, mais do que cumprir o ritual alimentar, se está a aderir à “ideia” e à “comunidade” daqueles que se identificam com o conceito que está na origem do projecto. Neste contexto, compreende-se, de igual forma, que o essencial da proposta gastronómica incide, sobretudo, naquilo que “faz a diferença” e se liga à “ideia”. Um olhar superficial pelo menu pode até dar a impressão, precipitada, de que não difere do que é comum encontrar noutros sítios. Como sempre, são os detalhes que importam. Deixemos então aqui algumas sugestões: nas entradas experimente, por exemplo, as “Ficka Wings” (asinhas de frango frito com molho de queijo azul) ou as “Cascas Fritas” (cascas de batata frita com maionese de bacon). Nas saladas, a nossa escolha vai para a salada de beterraba e feijão e, em especial, para a “Veggie Cous” (à base de couscous). Há várias opções interessantes de hamburgueres mas o “Ficka Burger” (alface, tomate, cebola, bacon, queijo cheddar e queijo azul) destaca-se entre todos. E se é daqueles que não resiste ao frango, então o “Frango de Laranja” é a escolha preferencial, apesar, do “Frango Mazive” (marinado em cerveja) também seja uma boa opção. Se é apreciador de doces, a nossa sugestão é que experimente a “Concha de Canela” (à base de uma receita tradicional sueca).

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