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Hermenegildo Langa
July 8, 2019

Sasol apresenta novo projecto para exploração de hidrocarbonetos

Residentes e pesquisadores repudiam implementação do projecto devido a factores ambientais e recomendam um estudo completo sobre o impacto. Proposta abrange as províncias de Inhambane e Sofala

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A empresa multinacional Sasol apresentou um projecto de aquisição sísmica e perfuração no mar para o bloco 16/19 que abrange as províncias de Sofala e Inhambane. De acordo com DW, gestores detalharam o projecto durante uma auscultação pública que teve lugar na cidade de Inhambane na última sexta-feira. De acordo com os participantes, a empresa foi muito criticada pelo facto de violar os acordos já existentes na exploração de gás.

Getrudes Namburete, representante do Centro Terra Viva, organização não-governamental ambiental de Inhambane, afirma que a Sasol deve explicar o que está à procura exactamente, porque as comunidades afectadas estão com dúvidas sobre o novo projecto da empresa.

"Os pescadores possivelmente não poderão entrar para o mar. Como é que fica a situação dos pescadores desta área? A Sasol explicou que está à procura de hidrocarbonetos. O que está a procurar exactamente, gás ou petróleo?", questionou.

Andrea da Silva, pertencente à organização da sociedade civil Arquitectos sem Fronteira, revela que o projecto gera muitas dúvidas para a sustentabilidade das comunidades abrangidas. "Como podemos garantir a sustentabilidade dos recursos pesqueiros se houver esta perfuração sísmica ou petrolífera?", critica.

Poucos benefícios

Portanto, recordando os antigos projectos da Sasol em Inhambane, onde está a explorar gás há mais de dez anos, os residentes locais não têm se beneficiado dessa exploração e, por isso, pedem mais formação para os jovens para que não sejam excluídos nas oportunidades de emprego.

"A Sasol deve pensar como formar nossos filhos aqui para no futuro fazerem parte do projecto, para não virem sempre pessoas de Maputo e nós sermos chamados só para erguer casas", explica Carlos José Maria, líder comunitário na cidade de Inhambane.

O estudo do impacto ambiental foi levado a cabo pela empresa Golden Associados Moçambique Limitada e deve ficar pronto até Setembro.

O geógrafo moçambicano e docente universitário em Inhambane, Amário João, disse que é preciso haver integração e uma análise metodológica para se identificar a potencialidade dos recursos existentes. "Integrar várias metodologias de análise dos impactos ambientais. Há uma necessidade de interacção de métodos e, de mais, o que vai acontecer depois de se identificar as potencialidades que existem lá", diz.

Tashiq Naicker, gestor do projecto, explicou que a empresa Sasol está à procura dos hidrocarbonetos, mas, sem detalhar, afirma que a empresa vai avançar se o projecto for aprovado pelo Governo moçambicano.

"Estamos à procura realmente de hidrocarbonetos, pode ser gás ou petróleo. Nós ainda não temos certeza o que temos, mas aquilo que for encontrado vai ser levado ao Governo no sentido de termos uma aprovação para avançar", explicou.

Por sua vez, José Matsinhe, representante do Governo, diz que é preciso recolher todas as contribuições para que o projecto beneficie todos os moçambicanos.

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