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Pedro Cativelos
January 2, 2020

TEMOS DE ESTAR NOS MEGA-PROJECTOS

Chegou há poucos meses a Moçambique mas o seu conhecimento do mercado nacional é já bastante claro. Assim como a estratégia da Cimentos de Moçambique (CM), uma empresa histórica do sector...

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...que aparenta estar rígida, como betão. Isto depois de anos de crise e abrandamento económico que paralisaram a evolução do

sector da construção e das grandes infra-estruturas. Mas os projectos do gás em Cabo Delgado são, agora, a luz ao fundo do túnel, e iluminam as expectativas de crescimento para os próximos dez anos. Edney Vieira explica à E&M a visão da empresa para Moçambique.

Há uns meses, saíram notícias de que a CM ia ser vendida e que a sua fábrica na Matola, a maior do país, ia encerrar. É verdade?

Não. Isso foi fruto de uma confusão com a compra da Limak da participação na Cimpor em Portugal e Cabo Verde.

Qual é, actualmente, a capacidade instalada da empresa e do mercado, em geral?

O mercado tem cerca de 4,7 milhões de toneladas de capacidade instalada para uma procura 2,3 milhões de toneladas de consumo. A CM tem 2,2 milhões de toneladas de capacidade instalada com vendas de cerca de metade. Há dois anos que o mercado não cresce, o que coloca uma pressão grande na indústria porque os custos fixos são elevados.

A capacidade instalada da CM é maior do que a procura. Como se lida com isso?

Na verdade, até 2017, o mercado crescia a taxas elevadas. Talvez possa ter havido um erro de avaliação do sector em geral, levado pelas taxas de crescimento elevadas da primeira metade da década. Mas com a crise cambial a demanda estagnou.

Como é que a CM se vai posicionar nos mega-projectos?

Entendo que uma empresa do porte da CM tem de ter um papel relevante em todos os mega-projectos. E eu, como gestor, vou lutar para participar num empreendimento dessa magnitude. Primeiro porque preciso de vender e depois, porque a marca tem de estar ligada a estes mega-projectos. Temos aqui o recente projecto da ponte de Katembe, um motivo de grande orgulho nosso e uma obra de referência que, para nós, faz todo o sentido. No Norte, os projectos de oil&gas têm uma dinâmica diferente e chegámos ao momento ‘quente’ de resolução. A decisão de investimento já foi feita e agora estamos em fase de discussão de contratos.

É verdade que está a negociar com a Total?

Não é verdade porque não é sequer a prática normal neste tipo de empreitada. O próprio investidor não faz esse approach directo com os fornecedores. O que está a acontecer é que as empresas que prestam serviços directos a esses grandes players do gás estão a procurar-nos para pedir cotações de cimento. De resto, a a CM já participa na operação de reassentamento que está em curso, e que utiliza o nosso cimento. Estamos dispostos e prontos para participar nestes projectos que vão ser o divisor de águas na História de Moçambique.

Essa intervenção vai também para outros projectos?

Já temos o nosso cimento em Cahora Bassa, outra obra icónica que nos orgulha. Somos a única empresa verdadeiramente nacional, geograficamente falando, porque estamos nas três regiões do país, temos duas unidades em Nacala, uma no Centro, no Dondo, e aqui na zona Sul. No Brasil usamos uma expressão: ‘o cantor tem de ir onde o povo está’. E o cimento tem de estar onde o desenvolvimento acontece. É um negócio de escala, necessária para a amortização dos custo fixos. E Moçambique tem tudo para ser um líder regional, crescer economicamente e melhorar os níveis de desenvolvimento.

Ao nível da formação de quadros e da sua retenção, várias indústrias têm sofrido com a falta de profissionais de qualidade (em número suficiente) que estão a começar a sair para as grandes empresas de oil&gas. Também sentem isso aqui?

Moçambique precisa de desenvolver qualificação técnica e, num sector como o nosso, é difícil investir numa pessoa e de repente uma empresa que chega, levar o seu quadro. É por isso que nós e um conjunto de outras grandes empresas industriais estamos a tentar viabilizar um projecto com um grupo de formação multinacional para tentar implementar um centro de formação de quadros na área da indústria, para acelerar esse processo de formação, e poder, também, beneficiar o país.

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